Textos e questões

Queridos colegas professores,

    Neste espaço, vocês encontram algumas questões de Língua Portuguesa que elaborei utilizando meus próprios textos. Já utilizei as mesmas em provas e exercícios para meus alunos de Ensino Médio e a experiência foi satisfatória. Sintam-se à vontade para utilizar minhas questões, sentir-me-ei honrada. Só peço que citem a autoria dos textos, respeitando assim os direitos autorais e, se puderem, sigam este blogue. Cordialmente,
                                                             Adriana Igrejas.

  • Questões de redação e interpretação de textos (o tema do texto envolve ética , cidadania, boas maneiras e educação em geral):


Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 4:

O mal do brasileiro (Adriana Igrejas)

   Como todos sabemos, o povo brasileiro é um povo muito bom. Em nossa simplicidade, somos hospitaleiros, generosos e solidários. Se você leva um tombo e cai na rua, logo corre alguém para acudi-lo. Se pede uma informação, há sempre alguém disposto a parar e lhe dar todas as coordenadas do que precisa. Tudo de mal que há no brasileiro é sem querer, ele não faz por mal, e sim por falta de educação. É isso mesmo, o mal do brasileiro é a falta de educação.
     Entre os brasileiros, os cariocas são especialmente mal-educados. São cenas comuns no Rio de Janeiro ver pessoas de todas as classes sociais jogando lixo nas ruas pelas janelas dos apartamentos, dos carros ou ônibus. Os papeizinhos de propaganda, que são distribuídos nas ruas, já tem destino certo: o chão. Mesmo na Avenida Rio Branco onde a cada cinco metros há uma lixeira, vemos desses papéis, entre outros, acumulados no chão, caindo das mãos de homens de terno e de mulheres bem vestidas. O lema é: “todo mundo joga, então eu jogo também”, ou “ se eu não sujar, os garis ficam sem emprego”.  Estas frases são pérolas da ignorância. E assim, andamos pisando em sujeira o tempo todo e somos premiados com enchentes - resultado de bueiros entupidos, e com rios e praias podres e fedorentas que vão deixando triste a paisagem da cidade maravilhosa.
       Ainda no âmbito da higiene, há aquela mania, aí quase que exclusivamente masculina, de urinar nas ruas. Dizer que é uma necessidade é apenas uma desculpa para pessoas que nunca tiveram uma educação que as separasse de cachorros ou outros animais. Por que não procurar o banheiro de um bar ou de uma loja? Porque um cachorro não faria isso. Aí somos obrigados a andar pelas ruas sentindo o odor fétido e ácido da micção, ou ainda, nos deparar com verdadeiros atentados ao pudor, pois assim como os cães, eles não escolhem nem horário, nem local: qualquer cantinho ou poste serve. Os milhares de litros de desinfetante que a prefeitura é obrigada a gastar todos os dias, não resolvem, pois são muitos os vira-latas soltos na rua.
        Outra coisa que deprime muito é ver velhinhos sendo sacudidos em ônibus ou trens, enquanto rapazotes e moçoilas de 18 ou 20 anos ficam confortavelmente sentados nos assentos preferenciais.  O mais engraçado é imaginá-los nessa idade tendo que passar pelo que os idosos hoje passam por sua culpa. Não só idosos: mulheres grávidas e deficientes também sofrem com a falta de educação.
        Por mais que haja leis que regulem certo tipo de comportamento no Brasil, elas são ainda poucas e sobrevive, em nosso meio, a tradição de certas leis pegarem e outras não. O cinto de segurança, por exemplo, só começou a ser usado sob pesadas multas e, mesmo assim, ainda há quem não o use. E por aí podemos citar milhares de outras coisas como: Levar cachorro para fazer cocô na rua e não limpar; varrer lixo para debaixo do tapete da porta do vizinho do apartamento ao lado; furar fila; fumar em ambientes fechados; empurrar; conversar durante o Hino Nacional ou em palestras ou aulas; estacionar na vaga dos outros ou nas calçadas; homens andando pelas ruas ou em coletivos sem camisa.
          Parece que o brasileiro adotou a postura do “cada um por si e Deus por todos” ou acham que só têm direitos e nenhum dever. Temos a impressão de que a frase “ o seu direito termina onde começa o direito do próximo começa”, nunca fez parte da educação dessas pessoas. A mania de levar vantagem, ser o mais o mais “esperto” e sair na frente fala mais alto a todo instante. E quem conseguiu em meio a tudo isso ter uma educação diferente, fica perplexo e sentindo-se um ET, pois parece que o certo se tornou o errado e vice-versa. Parece um caos que sufoca, entristece e nos deixa cada vez mais pessimistas. Ou você continua indignado, com um nó na garganta e sofre ou se junta a eles − o que você não consegue, pois uma vez que você enxergue, só poderá fingir que é cego, mas jamais ser cego de verdade.

        Parte 1- Interpretação do Texto

1. Segundo o texto, qual é o mal do brasileiro?
2. Dê três exemplos de falta de educação citados no texto: 
3. Pelo certo, como devemos encarar a questão dos direitos e deveres? Que frase resume isso? 
4. De acordo com o texto, o que é ser cego? E por que uma pessoa que tem educação não pode ser cega? 

 5. O que predomina no texto?
     
    a) argumentação     b) descrição      c) narração     d) lirismo     e) enumeração

        Parte 2 – Produção de Texto: 

        Produza um texto dissertativo semelhante ao texto dado, em que você irá se posicionar em relação ao descaso do brasileiro em cumprir simples normas de educação. Você poderá citar exemplos e criticar diversos comportamentos citados ou não no texto. Mas cuidado para não copiar simplesmente o texto dado, mesmo que parcialmente. Você deverá ser original, criativo e tecer argumentos sólidos. (Mínimo de 15 e máximo de 25 linhas)